29 de março de 2016

O MISTÉRIO DA ONÇA PIFEIRA



Num raiar do mês primeiro,
Janeiro, no dia seis,
Uma banca cabaçal
Que louvava os Santos Reis
Entrou, como de costume,
Num ranchinho camponês.

Os músicos, bem fardados
De uniforme azul do céu,
Entraram tocando loas,
Fazendo grande escarcéu.
Mas tão logo lá entraram
Foram tirando o chapéu.

Pois ali, na camarinha,
Uma mulher dava a luz;
Os homens, silenciados,
Fizeram sinal da cruz.
Rompeu-se em seguida um choro
E deu-se um “viva” a Jesus!

Nascera um neném saudável,
Face mostrando rubor.
Ligeiro, tocou a banda
Uma toada em louvor
Ao menino que nascia,
Bem como a Nosso Senhor.

Neste instante sua mãe
Que inda não tinha escolhido
Um nome para o filhinho
Teve o caso resolvido:
"Vai se chamar Epifânio
E será muito querido".

Nascido no Dia de Reis, Epifânio se tornou o maior pifeiro da região em que vivia. Famoso, dedicado ao instrumento, estudioso e virtuoso, não sabia o que a obsessão que desenvolveu pela sua arte acabaria lhe reservando no futuro.

LAMPRÊGO NHUMBUGAKU, O MISTÉRIO DA ONÇA PIFEIRA, novo cordel de Eduardo Macedo, a ser lançado pela Editora Coqueiro, na próxima edição da Feira do Cordel Brasileiro.

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