11 de setembro de 2015

OS JASMINS DO CASTELO


Novo trabalho, ainda cheirando a tinta: "Os jasmins do castelo". Romance autoral que versa sobre a história de amor de um casal e seu sonho monumental. A trama do cordel é inspirada no histórico episódio do Palácio do Plácido, que tanto abalou a capital cearense e até hoje faz parte do imaginário dos fortalezenses. A publicação é dedicada aos artistas Lúcia Menezes e Ednardo Sousa. Edição independente, 32 páginas, ilustrada pelo autor.



(...)

Feito chuva passageira,
Que mal cai e já termina
A vida passa ligeira,
Sendo a morte comum sina.
Mas se o solo é semeado,
Com o parco chuviscado
A semente já germina.

A semente germinando
Vira a vida eternidade.
Todo rio pereniza,
Finda-se efemeridade.
Assim, em vez de tormentos
Vêm eternos monumentos
De amor e de humanidade.

Bem no meio desta praça
Havia um palácio imenso
Que um dia foi atacado
Por um monstro mais infenso
Do que a hidra hepta-cabeça.
Não há dragão que eu conheça
À maldade mais propenso.

Majestoso e requintado
Aqui jazia o castelo.
Feito com mais fino mármore,
Folhado de ouro amarelo,
Com janelas de cristal
E o mais florido quintal.
Como poucos era belo.
Tinha dúzias de janelas
E portas emolduradas,
De talhes ao modo arábico,
Com madeiras trabalhadas,
Inspirando aos quatro cantos
Os mistérios e acalantos
Das cortes de eras passadas.

(...)

20 de janeiro de 2015

O MONGE DO PÍFANO E O PODER DA MÚSICA


Frei Benedito vivia numa pequena comunidade camponesa no meio da caatinga, onde, a despeito do impiedoso clima semi-árido, prosperavam o cultivo agrícola e a criação de animais.  O segredo da fartura do lugar era o olho d'água que existia nas terras dos monges, do qual desfrutavam clérigos e leigos, sem restrições. Além de frade, Benedito era pastor e possuía um pífano que utilizava para tanger seus animais, cuja música que dele emanava exercia peculiar influência sobre a natureza e as pessoas do vilarejo, que gozava de grande harmonia e tranquilidade. Porém, para o azar de todos, um prior foi enviado ao monastério para dirigi-lo e, com diabólico egoísmo, resolveu cobrar pela água que nascia nas terras monacais. Seu nome era Frei Cabriz e ele estava decidido a construir uma barragem, sendo que, para isto, contaria com a ajuda do diabo em pessoa!

Muito embora o sertão brabo
Se apresente impiedoso
Com seus tabuleiros ermos
E seu solo pedregoso,
O menor vestígio d’água
Transfigura-o abastoso.

No lugarejo Pedreira,
Sito em meio a carrascais,
Entre serrotes maciços,
Abundavam animais,
Criações, muita forragem,
Roçados e milharais.

Os sertanejos de lá
Para si bem produziam
E o excedente de tudo
De bom grado conduziam
Ao mosteiro do lugar
Ao qual muito bem queriam.

Pois que as terras monacais
Um olho d’água encerravam.
Perene manancial
Do qual todos desfrutavam:
Bebiam, davam aos bichos
E as culturas irrigavam.

(...)

Descubra o desfecho desta história lendo o "Monge do pífano e o poder da música", cordel de Eduardo Macedo inspirado por conto de Jean de Quercy, editado pela Magazine Gibi com apoio da Editora Luzeiro.

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