21 de abril de 2018

SUASSUNA - ARGONAUTAS QUARTETO E MÔNICA SALMASO

Single da banda cearense Argonautas Quarteto em homenagem ao gigante Ariano Suassuna, nordestino-mor. Ele não ia gostar nada da palavra "single", mas certamente gostaria da canção, que possui um ar medieval e nordestino, típico do Movimento Armorial por ele fundado. Interpretação da cantora paulista Mônica Salmaso e execução do quarteto Argonautas. A gravura da capa é de Eduardo Macedo, também fortemente influenciado pelo Movimento Armorial.

Ouçamos!

https://www.argonautasoficial.com.br/suassuna


12 de abril de 2018

CORDEL ELETRÔNICO - A BESTA-FERA-ANHANGÁ

Está disponível para ler, baixar e distribuir, a versão eletrônica do cordel "A Besta-Fera-Anhangá", uma obra de Eduardo Macedo que trata de forma alegórica do recrudescimento do fascismo brasileiro.

Clique abaixo e tenha uma boa leitura!

 Clique para baixar o cordel

14 de agosto de 2017

A BESTA-FERA-ANHANGÁ


Mais recente cordel de Eduardo Macedo, um poema que trata da situação política do Brasil contemporâneo​ por meio de alegorias. Será lançado na II Feira do Cordel Brasileiro, que ocorrerá na Caixa Cultural entre os dias 17 e 20 de agosto.

A BESTA-FERA-ANHANGÁ

Eu vou contar uma história
Que aconteceu no Brasil,
Onde uma matança inglória
Houve sem lança ou fuzil:
Artes duma besta-fera
Que habitava uma cratera
N'alma da gente mais vil.

Deu-se no século XXI,
No seu segundo decênio,
Quando o país melhorava
Depois de meio milênio
Submerso na iniquidade,
Sem ter possibilidade
De alcançar o oxigênio.
...

No globo o que se falava
Era que o Brasil agora
Tinha voz e vez conforme
Outros gigantes de fora.
Nos tornamos respeitados;
Deixamos de ser coitados
Conforme fomos outrora.

Mas aí veio o pior:
Enquanto levava o povo
Sua vida, não notava
Que alguém incubava um ovo
Cujo embrião peçonhento
Só aguardava o momento
De sujeitá-lo de novo.

Uma raça de energúmenos,
Movida por truculência,
Que infesta as terras brasis
Com inépcia e virulência
Desde a época colonial,
Achou que seu cabedal
Passava por ingerência.

Eram seres infelizes,
Que não se consideravam
Autênticos brasileiros
E por demais desprezavam
Sua raça mestiçada,
Sua estirpe acaboclada
Que os séculos lhes legaram.

Ao passo que, muito menos,
Eram quem queriam ser:
Os verdadeiros senhores
Da cangalha do poder.
Eram por estes usados
Para manter seus reinados,
Seus impérios, a saber.
...

Nisto deu-se um grande golpe
No peito dos brasileiros.
De início muitos não viram
Descerem de seus poleiros
Para se apossar de tudo
O abutre carrancudo
Com os demais carniceiros.

Mas enquanto estes bicavam
Cada qual o seu bocado,
Gestava-se um anhangá
Com trinta peitos dum lado,
Filho do cio da cadela,
Num ovo posto por ela
Por mil fascistas galado.

Besta fera polifágica
De apetite insaciável.
Devoradora de tudo:
Da carniça impalatável
Ao filé da carne humana.
Uma assombração profana
Das profundas do insondável.

As garras da besta-fera,
Eram grandes à direita,
Bem como a musculatura
Que à destra era melhor feita.
Tudo um lado era maior,
Confessando, ao derredor,
Os sinais da sua seita.
...